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FUNDAÇÃO DA COLÔNIA SUÍÇA DE SUPERAGÜI

 A 14 de janeiro de 1852 o então cônsul suíço em São Paulo, Charles Perret Gentil, naturalizado brasileiro, adquiriu, juntamente com o vice-cônsul Arthur Guigner (com o qual formou uma sociedade colonizadora) 35 hectares de terra na região de Guaraqueçaba. É curioso notar que a aquisição foi feita de um inglês David Sevenson e sua mulher Jacinta. O tabelião foi Joaquim José de Castro e o documento reconhecido no Consulado Geral da Suíça, no Rio de Janeiro. Os 35 hectares foram divididos em três partes; uma no continente abrangendo área montanhosa da Serra do Mar. A segunda compreendia toda a península de Superagüi e onde se instalou o núcleo ou sede, na parte sul à margem da baía de Superagüi. A terceira parte, na ilha das Peças.

Não conhecemos nenhuma ata de fundação e como se tratava de colônia particular, provavelmente não tiveram essa preocupação. Sebastião Paraná nos fornece outra data de fundação: junho de 1852 e Francisco Negrão nos dá 28 de agosto de 1852. Mas o próprio Charles Perret Gentil em seu mapa assinala que os primeiros imigrantes lá chegaram em outubro de 1851.

Nessa missão Charles Perret Gentil foi auxiliado por seu irmão Auguste Perret Gentil. Obtida a devida autorização imperial, trataram de mandar vir os primeiros imigrantes. Neste empreendimento gastaram 50 contos de réis e tiveram cerca de oito contos de réis anuais de despesas, sem lucros.

É surpreendente que famílias inteiras deixassem a civilização européia para se fixarem em local estranho, inculto e isolado.

O mapa (em anexo) é um quadriculado onde constam os nomes das famílias, suas atividades econômicas e também as datas de chegada. Um ofício de Charles Perret Gentil e datado no Superagui em 22 de fevereiro de 1854 dirige-se ao presidente da nova província nestes termos:

Ilmo. Exmo. Snr. Presidente da Província do Paraná:

Tive a honra de receber o Oficio que V. E. dignou dirigir-me sob a data de 22 dezembro p.p. comunicando-me a cópia da resolução do Governo Imperial a cerca do meu pedido e do dos moradores do Superagüi, tanto para a Colônia como para promover alguns melhoramentos para o povo destas paragens, ficando à. espera de uma solução definitiva depois de posta em execussão a lei no 601 de 18 de setembro de 1860.

Conhecendo a solicitude do Governo para tudo o que é relativo as colônias, julgo oportuno e rio meu dever passar a referir a V. E. algo mas noticias sobre meu insignfiicante (por ora) estabelecimento de colonos.

Cheguei no Superagüi há dois anos com alguns homens para dar princípio à Colônia, logo tratei de fazer casas, derrubadas e plantações estabelecendo os colonos sobre lotes de terrenos para cultivar e empregando a gente da terra a jornaes para o serviço que tinha com o fim de crear o estabelecimento. Sucessivamente entraram alguns colonos que se arranjaram. Vieram também alguns de São Francisco, que não podendo fixar-se, saíram. como igualmente despedi uns por vício da bebida e preguiça. Afinal existe hoje na colônia 13 famílias formando um total de 38 pessoas como V.E. poderá ver pelo mapa junto. Cada família tem sua casa, forneço-lhes os mantimentos, ferragens e roupa como adiantamento enquanto eles não tem produtoss, dou-lhes conselhos para a cultura, amando-os e ajudando-os de todas as formas, procurando-lhes as plantas de que precisam.

A força de trabalho e tenacidade pude reunir neste lugar onde havia falta de todo e qualquer recurso, até urna falta seguida de mantimentos sofriam e ainda sofrem os moradores da terra, o que me obriga ainda por alguns meses a recorrer a Paranaguá para sustentar não só os colonos como também muita desta gente que, sempre ocupada na pescaria descuidava das plantações Os colonos beneficiam-se da cultura do café, da cana, do arroz, da mandioca, do milho, dos feijões, legumes e algum fumo para o gasto. Existe cerca de 30.000 pés de café plantados e este ano vai se dar maior desenvolvimento a toda a cultura, tanto da parte dos colonos como da dos brasileiros, entrando com estes últimos em sociedade, como já se praticava em 1853, fornecendo-Lhes os meios de trabalhar na terra e seguir uma cultura regular, o que dara resultados vantajosos, desviando-os da pescaria que deixa a maior parte na miséria, e fazendo deste (?) um lugar de produção. Agora estou fazendo um engenho de bastante capacidade, que já este ano trabalhará na preparação do café, da cana de açúcar, do arroz e da mandioca como também com serraria. O engenho está montado para dar grande quantidade e atividade no serviço, a fim de economizar os braços e despesas de alugados, igualmente para não sofrer das grandes variações do tempo na preparação dos produtos. Principiei uma olaria mas a falta de gente que queira se dedicar a este ramo paralizam o andamento, lã se poderia fazer telhas e tijolos.

Os moradores brasileiros nas terras do Superagui contam de 58 famílias formando um total de 228 indivíduos, alguns já principiaram plantações de café, cana e arroz, outros querem seguir o exemplo. Por ora estes moradores estão nas terras pagando-me um pequeno aluguel esperando um pouco para fazer aforamento perpétuo com aqueles que tiveram plantações de valor, tratando-os no mesmo pé que os colonos.

O sistema que adotei com os colonos é aforar ou vender os lotes de terra, os produtos são em totalidade para eles, a única obrigação que os liga comigo além da divida é dar-me a preferência para me vender ou fazer preparar os produtos a igualdade de preço. Não me estendo muito sobre os detalhes deste sistema de quais estou mulo satisfeito e que dá multa animação aos colonos para desenvolver-se. Em 1852 3ã dei noticia circunstanciada para o governo de São Paulo.

Por falta de proteção e ajuda a colônia não tem aumentado muito de pessoal, mas, está em excessivo progresso de cultura. Pensei que fiz deste sistema bem administrado corresponder as minhas suposições. Agora depende do governo o imulso futuro da colônia e mesmo de outros núcleos nos arredores.

Tenciono introduzir várias culturas como a do anil e da amoreira para o bicho da seda. Já recebi 20 (?) de sementes de anil que me foram. mandados pelo Snr. Schmidth, de Hamburg e breve receberei plantas de amoreira do Snr. José Vergueiro.

O clima é muito sadio e os colonos gozam de melhor saúde. Só um morreu no principio, de doença antiga. Na colônia há um boticário médico. Quanto a gente brasileira, tanto das minhas terras como da vizinhança está multo atrasada por falta de educação, poucos sabem ler e escrever o que não é para admirar se um lugar onde não existe nem Igreja nem padre nem mestre-escola.

Quase todos os colonos estão casados, sendo 5 com brasileiras. Na colônia houvera 7 casamentos e 3 nascimentos, 3 em vésperas de nascer. Os colonos se portam bem, não tem havido atrito algum nem queixas. Enfim a sorte da colônia não é duvidosa e POSSO asseverar que em pouco tempo aumentará muito se tiver auxilio pala mandar Vil mais gente e ajudá-la o que seria uma fortuna para esta parte da Província, porque é uma desgraça sair fora de Paranaguá. todos os recursos pecuniários para prover-se de farinha, café, açúcar, feijão, fumo, toucinho, etc., quando estes gêneros podem ser fornecidos da Província. Há uma grande falta de quem  anima a cultura e encaminha a gente.

 Deus guarde V. E. muitos anos

 Superagui, 22 de fevereiro de 1854

 ass. Charles Perret Gentil”

 Eram 13 famílias européias sendo 13 homens adultos, 10 mulheres adultas, 7 filhos e 3 filhas, totalizando 33 pessoas, fora o casal brasileiro com 3 filhos. Isto sem contar com a população nativa.

Os nomes são os seguintes: Perret Gentil; Bada; Scinini; Revedo; Tamagno; Dinholz; Devrieu; Pfaff; Bertholez; Michaud; Cattelain; Sigwald; Lüdjen. E o brasileiro não nativo de nome Rosa.

A respeito dos imigrantes apuramos o seguinte: Charles Perret Gentil a quem nos referimos anteriormente, veio ao Superagui com a família em outubro de 1851 e trouxe consigo a esposa e um filho. Mais tarde, ao se retirar da colônia deixou como substituto, Louis Devrieu.

Quanto a Louis Devrieu, era casado com uma inglesa em Vevey (Suíça) e lá tiveram três filhos. Mas, pelo “mapa” feito por Perret Gentil em 1854 consta que veio só, ao Superagui, em 1852, trabalhando, de início, como empregado, passando depois a cultivar seu próprio sitio. Parece, tudo indica, que se casou na colônia, onde teve cinco filhos. Adquiriu, depois, na baía dos Pinheiros ao pé do morro, em ambos os lados do rio Segredo, uma grande área com floresta. Aí montou junto a que­da d’água uma serraria e engenho de açúcar. Roberto, seu filho, mais tarde assumiu a direção da empresa que prosperou.

Giovaní Batista Revedo ou Rovedo, veio ao Super agui proveniente da região do lago Como, norte da Itália, ao contrário do que consta no “mapa” de Perret Gentil. Rovedo, juntamente com Tamagno foi também industrial na região.

Johann Michael Sigwart era alsaciano e não suíço como consta do aludido “mapa” e também se tornou empresário e plantador de uvas na região do rio das Pacas. Veio ao Superagui com a esposa, uma filha e um filho em novembro de 1852. Plantou cana, mandioca e legumes.

Giordano Scinini foi um dos primeiros imigrantes do Superagui, chegando em outubro de 1851 com esposa, uma filha e um filho, provenientes de Sondrio (Itália). Não eram suíços como consta do “mapa” de Perret Gentil.

A família Rosa, única brasileira não nativa, chegou em outubro de 1852 com a esposa e três filhas, dedicando-se a lavoura.

Em setembro de 1852 chegava também o “doutor Boticário” de nome Bertholez, suíço, acompanhado da espôsa, dedicando-se também à lavoura de café e mandioca.

As informações erradas sobre as origens, parece que eram propositais, para que a colônia ficasse caracterizada como suiça.

As famílias Bada, Dinholz, Pfaff (suiças), Catelain (francesa) e Lüdjen (dinamarquesa) parece, não permaneceram na colônia por muito tempo. Os documentos posteriores não fazem referências a elas e tudo indica que delas não existem descendentes atualmente.

A complementação das informações acima registradas foram obtidas do livro de Emilio Scherer principalmente no que se refere ao personagem central desta monografia, William Michaud, porque lá viveu, trabalhou e pintou inúmeras aquarelas e desenhos, retratando os aspectos paisagísticos do Superaqui, como artista sensível que foi e por que, casado com brasileira, deixou muitos descendentes que lá ainda vivem.  

 

Mapa da Colônia de Superagüi com a localização das terras de alguns colonos [Fonte: O livro da Família Durieu(x)].

               Em 1854 existiam, como já nos referimos, 13 famílias. Algumas haviam construído boas casas de pedras, usando argamassa com a cal fabricada dos sambaquis locais. As ruínas hoje tomadas pela inata revelam o conforto e o espaço daquelas residências. As janelas eram guarnecidas de vidro, pois entre as rumas encontram-se cacos de vidro plano. Próximo às residências havia outras construções tais como: paióis, oficinas, estrebarias e trapiches sobre o canal, que era a grande estrada líquida de ligação entre todos os sítios. Os morros, atrás das residências, estavam em grande parte cultivados. Alguns deles, com parreirais que forneciam uvas excelentes para a fabricação de vinhos de boa qualidade, vendidos até para fora da colônia. Consta que o principal produtor de uvas e fabricante de vinhos foi Johann Michael Sigward e, mais tarde, William Michaud.

A família Devrieu possuía excelente olaria e fez construir uma bela mansão de alvenaria, com todo o conforto. A madeira cortada e beneficiada ali mesmo era exportada para a Argentina.

 Outra família significativa foi a de William Michaud, de quem ainda existem vários descendentes no Superagüi (Obs. Inclusive a nossa querida Denise) e de cuja pessoa adiante falaremos.

A 21 de março de 1859, pela lei n.0 137 criava-se uma cadeira de instrução primária para o sexo feminino na colônia, no bairro denominado Varadouro Velho. Mais tarde, em 1871, a lei 264 de 3 de abril, restaurava as cadeiras de instrução primária para o sexo masculino na colônia de Superagui e de Serra Negra, da Paróquia de Guaraqueçaba, Ilha das Peças, Ilha do Mel e do Rocio, na cidade de Paranaguá.

Em 1860 Superagui já possuía 90 famílias, formando população de 420 pessoas. Nesse ano o diretor Perret Gentil solicitava, por oficio ao governo imperial, auxilio pecuniário para impulsionar a colônia. Não sabemos se foi atendido. O diretor queixava-se da falta de escola e igreja. Nessa ocasião o então presidente da Província Dr. José Francisco Cardoso manifestou em seu Relatório a intenção de para lá remeter um professor para instrução de 200 meninos de ambos os sexos, mas negava-se a mandar construir igreja, dizendo que a empresa particular deveria edificá-la.

No ano seguinte 1861, vivia-se em época de contrabando de escravos africanos, já que o tráfico normal estava proibido. Sobre isso uma nota interessante em Romário Martins:  “Ainda que em 1861 o governo do Império, por denuncias levadas ao seu conhecimento, agia no sentido de extinguir o contra­bando humano feito então pela barra do Superagui, onde podiam entrar, até Guaraqueçaba, embarcações de até 200 toneladas. “Entre os traficantes de escravos estava um eminente cidadão de Paranaguá”.

 Ainda nesse ano de 1861 a colônia de Superagui exportou o seguinte:

farinha de mandioca 8 contos
café em grão 13 contos
feijão          500 mil réis 
arroz                                  500 mil réis
milho                                 500 mil réis 
água ardente   1 conto
peixes          12 contos 
diversos                                500 mil réis

Percebe-se nesse quadro que dois produtos eram então os mais rendosos, café e peixes, apesar de que a pesca não ter sido bem vista pelo diretor pois esta atividade desviava os homens da agricultura.

Através dos desenhos e aquarelas de um dos mais destacados imigrantes suíços, William Michaud, é que podemos ter idéia do que era aquele empreendimento. Num belo desenho feito antes do final do século 19, mostra a baía de Superagui. No fundo os morros cobertos de plantações, provavelmente parreirais e mandioca. Ao pé do morro do Barbado aparecem cinco casas de alvenaria. A beira d’água alguns homens pescam e outros arrastam redes. Esse quadro pertence à Coleção de Afonso d’Escragnolle Taunay e está reproduzido num livro de Newton Carneiro. Outros quadros, desenhos e aquarelas estão reproduzidos no livro de Emilio Scherer.

No final do século os primitivos imigrantes europeus já se tinham adaptado e abrasileirado. E disso nos dá testemunho o artista Williain Michaud de quem trataremos com mais atenção mais adiante.

Francisco Negrão em seu livro já mencionado registra que a 5 de março de 1863 naufragou na barra do Superagui um brigue inglês de nome “Miranda”, com carregamento de sal. Salvaram-se apenas os tripulantes que conseguiram alcançar a praia.

Em 1863 a varíola atacava também a Província do Paraná. O jornal “Dezenove de Dezembro” noticiava pela primeira vez a 13 de maio que o Snr. Roberto Milly acabava de chegar a Curitiba, procedente de Superagui e por ele sabia-se que ha­via aparecido naquela colônia a “bexiga” que atacara 5 ou 6 pessoas. A doença vinha certamente de Santos e se transmitia pelas comunicações marítimas freqüentes entre a colônia e aquele porto.

Em 1871 temos novas noticias a respeito do ensino primário naquela colônia, o governo da Província nomeava João Francisco de Santa Anua, para exercer as funções de professor na escola que contava com 29 alunos matriculados.

O presidente da Província, Dr. Ermelino de Leão, em 1875 informava em seu Relatório, que a colônia Superagui, graças ao seu fundador conseguiu elevar-se a lisonjeiro estado de prosperidade, mas por falecimento do diretor C. Perret Gentil a colônia caíra em esmorecimento. Por essa informação conclui-se que- Perret Gentil faleceu provavelmente em Superagui e que essa. data marca o inicio da decadência. O mesmo Relatório diz que a colônia estava reduzida a alguns poucos colonos que obstinando-se no trabalho e no espírito de permanência, conseguiram constituir-se no decurso dos anos, em pequenos proprietários. havia ainda na colônia alguns engenhos e máquinas. O produto da pesca em 1875 foi de oito contos e seiscentos mil réis. Produzia-se bom café e vinhos “envasados em barris”.

Até então não obteve nenhum favor público o que deve ter contribuído para a sua decadência.

A colônia possuía em 1879, 150 casas, sendo 10 de nacionais e 140 de estrangeiros. É de se supor que em 27 anos de colonização dita suíça, algumas famílias se haviam multiplicado, apesar do êxodo de outras. Supomos então que a grande maioria de casas ditas de estrangeiros, eram sem dúvidas de descendentes dos colonizadores, quase sempre casados com ele­mentos nacionais. As dez casas ditas de nacionais seriam certamente de famílias nativas ou seja cabôclas.

É curioso notar ainda que em 1883 a escola local estava sem professor novamente. Nesse ano, a convite dos colonos, foi indicado para professor, William Michaud que assumiu imediatamente. Michaud que era praticamente autodidata em instrução geral e artes plásticas, recebia por contribuição geral, duzentos mil réis por ano, passando a trezentos no ano seguinte. Os alunos vinham de longe, geralmente remando suas rústicas canoas.

Um fato notável na história do Superagui foi a visita do presidente da Província, nos dias 13 e 14 de novembro de 1886. O presidente Taunay e sua comitiva foi recebido com festas e as honras da recepção coube aos três veteranos, Michaud, Rovedo e Sigwald. O velho Durieu já havia falecido. Da comitiva participava também o visconde de Nácar, pessoa de destaque na política da Província. À noite a casa de Michaud iluminou-se para o banquete. Consta que Taunay conversou o tempo todo em francês com William Michaud, de quem se tornou amigo e admirador. O presidente e outros elementos da comitiva hospedaram-se na grande casa de Michaud onde pernoitaram. Dessa época em diante Michaud passou a receber jornais, livros e principalmente material de desenho e pintura, para a sua arte, por conta de Taunay.

Em 1888 estabelecia-se na colônia uma sub-delegacia de policia, sendo que o sub-delegado era um filho de um dos primeiros imigrantes. Compunha-se de um sub-delegado, Theodoro Sigwald; 1o suplente José Antonio Rodrigues; 2o suplente João  Guilherme Corrêa; 3o suplente Antonio José Corrêa.

 A Revolução Federalista de 1893 94 trouxe inquietações em Superagüi. Algumas casas foram saqueadas pelos soldados da polícia. A população fugiu para o mato.

Em 1919 registra-se que Trajano Sigwald, nascido em Superagüi em 1884, publicou um interessante livro intitulado “Instrução e Civismo”. O autor faleceu em Antonina em 1932.

Tudo indica que a população no final do século 19 e início diminuiu sensivelmente, pois o censo de 1920 indicou apenas 125 pessoas em Superagui.  

É surpreendente que os descendentes daqueles audaciosos imigrantes no Superagui, que realizaram notável progresso, construíram e mostraram-se tão laboriosos, não continuaram a obra de seus antepassados. Ao contrário da grande maioria das colônias de imigrantes que progredindo formam hoje notável contingente de nova elite emergente que participa do desenvolvimento econômico, político e cultural da nação. Em vez disso em Superagui se retraíram, se isolaram, se acaboclaram, se acomodaram. Os que de lá se retiraram provavelmente foram se integrar noutro contexto sócio-econômico, encontrando melhores condições para crescer.

 Texto extraído de: Leonidas Boutin: Superagui. 1983. Disponível na Biblioteca Pública de Curitiba.

(Obs: a ortografia está como no original)

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