
ILHA DO PINHEIRO, MELLY,PLATZMANN
No
mesmo período de Melly, a ilha foi também morada do jovem Platzmann de Leipzig
que com palavras entusiasmadas,
descreve a ilha do Pinheiro, que estava localizada no meio da baía,
“circundada por altas montanhas cobertas de mata para onde quer que se olhe.
Espalhando-se pelo azul profundo das águas, esta poderosa solidão trazida pelo
milenar crescimento da mata virgem”.
“Oh,
se você pudesse ter sido testemunha desta primeira manhã”, escreve Platzmann
ao pai: “vento que sopra da terra tudo limpou. As montanhas
lateralmente batidas pelo sol, elevam-se na luz matutina. O murmurar d´agua,
o sibilar das folhas das palmeiras, o cricri dos grilos, vozes de pássaros
nunca antes ouvidas e tantos sons não costumeiros bateram aos meus ouvidos.
Colibris brilhantes como ouro voavam ao redor das flores das laranjeiras. Pombos
arrulhavam na sombra das copas das árvores. Íbis brancos
aproveitavam a presa na beira d’água”.
“Quando
o sol se levanta por cima da paisagem
sempre verde da mata que, mergulhada nos perfumes úmidos, encontra sua imagem
em espelhos de água, e chega então a manhã aos picos das montanhas cobertas
de mato, aí se percebe o valor tão grande de ser jovem e sadio, em tais
vizinhanças, pois todas essas matas e montanhas estão abertas para você a
qualquer hora. O barco esguio leva-o sobre as águas azuis, deslizando através
de todas as sinuosidades dos mais
estreitos canais, cujas águas, cristalinas abobadadas de ambas as bordas,
passando sobre areais douradas, não são aquecidas pelos raios do sol. Quase
todo o esplendor dos trópicos, com as
suas palmeiras, suas folhagens gigantescas penduradas nas árvores, suas flores
e frutas maravilhosas, estão presentes no ânimo alegre pela beleza da manhã.
Sim existe uma liberdade que, neste Brasil jovem, é duplamente preciosa: possibilidade de evitar tantas influências destoantes deixar a mente livre
delas. Feliz aquele que sabe criar para si mesmo: para ele tudo é alegria,
conforto, prazer”.
“Para
o homem simples de lá, o horizonte que se vê do lugar de sua cabana primitiva,
coberta de palha, é o limite do mundo. O que foi ontem, é esquecido. O que será
amanhã, nisto ele não pensa, seu violão traduz suas horas sombrias e alegres,
supersticioso e religioso ao extremo, ele, todavia não exagera suas orações e
a veneração de seus santos pronuncia com dedicação sincera o nome de Deus,
seu benfeitor”.
O
clima de Superagüi era, com razão, descrito como saudável nos escritos de
propaganda de Perret-Gentil, semelhante ao da Europa na primavera tardia ou
no outono precoce, sempre refrescante, ventos frescos da serra do mar. O
mar e a floresta agiam de forma refrigerante. Se, porém, o tempo se tornava
asfixiante e abafado, então se aglomeravam com grande regularidade e freqüentemente
com rapidez surpreendente, nuvens e trovoadas no céu, para se descarregarem,
acompanhadas de tempestades violentas, espalhando depois uma frescura agradável.


Last modified on Friday, april 05, 2002