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ESPECIAL | Pescadores
nativos travam batalha difícil com barcos que têm sensores
para localizar cardumes Pesca em Superagüi está
ameaçada Embarcações clandestinas estão
atuando na área do parque protegida pelo Ibama
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Os
pescadores da Barra do Superagüi se dedicam à pesca
artesanal |
CLARISSA
LIMA A vila da Barra do Superagüi possui cerca
de mil moradores. A maioria se dedica à pesca artesanal de
peixe e camarão. Esta atividade estaria, segundo os
pescadores, ameaçada pela ação de grandes pesqueiros
clandestinos.
São embarcações modernas utilizadas pela
indústria pesqueira, equipadas com sensores que indicam a
localização dos cardumes de sardinha e outras espécies. Os
barcos, vindos de São Francisco do Sul (SC), têm autorização
para pesca, porém não podem ultrapassar a área do Parque
Nacional do Superagüi, onde a pesca com este tipo de
embarcação é proibida.
Para os pescadores, os navios
ultrapassam a área de pesca por não haver fiscalização,
chegando a passar dias próximos à ilha.
A diretora do
parque, Guadalupe Vivekananda, diz que diretores de parques
nacionais presentes no Congresso Nacional de Unidades de
Conservação – realizado há dez dias em Campo Grande (MS) –
redigiram um abaixo-assinado, encaminhado à presidente do
Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos
Naturais Renováveis), Marília Marreco, e ao Ministro do Meio
Ambiente, José Sarney Filho, pedindo a contratação imediata de
fiscais.
A ausência do Ibama na ilha é uma das maiores
reclamações dos moradores da Barra do Superagüi. Segundo
alguns moradores, fazem mais de dois meses que eles não têm
contato com a diretora do parque. "Estamos esperando por ela
para fazer a primeira reunião da Associação de Moradores,
deste que a nova diretoria assumiu, há três meses", diz Denise
Corrêa de Ramos, presidente da entidade, que tem 500
sócios.
Outra reclamação recorrente é quanto à ausência
do recolhimento de lixo na ilha. De acordo com Denise, o
programa BAÍA LIMPA foi abandonado pelo governo estadual
e os moradores têm que levar o lixo até Paranaguá, caso
queiram retirar da ilha. Outro problema apontado por Denise é
quanto à ausência de saneamento e tratamento de esgoto na ilha
e à falta d’água. A água é captada do Morro das Pacas, local
habitado pelos índios.
| Áreas
de preservação |
| O
território brasileiro tem a maior área de biodiversidade
do planeta e abriga de 10 a 20% de toda a fauna e flora
existente no mundo. |
| O
Brasil possui 370 unidades de conservação, o que
equivale a 2,5% de seu território. |
| De
todas as unidades de conservação existentes, 140 são
federais, mantidas pelo Ibama. |
| Nas
regiões Sul e Sudeste, cada fiscal do Ibama cuida em
média de 20 mil hectares de áreas
protegidas. |
| No
Parque Nacional do Superagüi, 34 mil hectares são
monitorados por dois funcionários. No Pico da Neblina,
três funcionários do Ibama cuidam de 2,5 milhões de
hectares. No geral, o Ibama tem 621 funcionários para
proteger 37 milhões de hectares de
terras. | |