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A Floresta Atlântica
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FLORESTA OMBRÓFILA DENSA (FLORESTA ATLÂNTICA)

Segundo o IBGE (1992) o termo floresta ombrófila densa foi criado por Ellemberg & Mueller Dombois, substituindo o antigo termo floresta pluvial do mesmo significado, floresta "amigo das chuvas".
Leite & Klein (1990) relatam que a floresta ombrófila densa cobria originalmente 57000 km
2, e está hoje reduzida a apenas 19000 km2. Outros nomes comum dados à este tipo de vegetação são Mata Atlântica (Santos; Azevedo, citados por LEITE (1994) ou Floresta Atlântica ( Campos; Rizzini, apud LEITE (1994).
Segundo LEITE & KLEIN (1990) a floresta ombrófila densa possui características tropicais, mesmo sendo situada em zona extratropical. Porém faltam algumas espécies tipicamente tropicais e há endemismos. São a ausência de um período seco, temperaturas médias acima de 15º C e a alta umidade que determinam as características desta formação florestal.
Segundo WETTSTEIN (1970) são dois fatores dominantes que causam as características desta formação: o ininterrupto período de vegetação e a umidade. A exuberância da vegetação, isto é tamanho dos indivíduos isolados e de seus órgãos, rapidez do desenvolvimento e grande número de espécies de plantas, pode ser explicada pela falta de interrupção do período de vegetação. Mas também houve um desenvolvimento contínuo durante longas épocas geológicas o que causa a impressão de um desenvolvimento atrasado, sem épocas bem definidas, ao contrário da vegetação em regiões boreais. A grande umidade por sua vez leva a adaptações das plantas. Quando há um fornecimento garantido de água, ocorrem as mais diversas adaptações para aproveitar a luz, fator limitado num espaço densamente populado. Folhas largas, formação da copa e presença de lianas e epífitas são características destas adaptações. As espécies que predominam são oriundas das famílias das mirtáceas, leguminosas, rutáceas, lauráceas, meliáceas, apocináceas, palmeiras e outros mais.
SCHMITHÜSEN (1961) menciona várias adaptações morfológicas das plantas. Muitas árvores possuem raízes de suporte, resultado da germinação sob árvores caídas. As folhas mais próximos ao chão são largas e finas, isto em função de baixa quantidade de luz. Na mesma árvore, as folhas da copa superior são de tamanho médio e mais grossas. Muitas vezes pode ser observado um tipo de sulco nas pontas das folhas, isto para facilitar a drenagem da água.
Uma outra particularidade ecológica das árvores da floresta ombrófila são certas características das folhas, muitas são sempre-verdes, isto é de duração relativamente longe e tem tanto adaptações às grandes secas quanto mecanismos para evitar umedecimento excessivo e constante. Proteção contra seca são p.ex. a forte cutinisação da superfície foliar, a existência de parênquimas aqüíferos e as estômatas situados em depressões. Para evitar umidade excessiva, muitas folhas tem uma superfície lisa e não molhável e um tipo de ponta-goteira, pela qual a água escorre. Esta dupla adaptação pode ser explicado pelo fato de que as folhas em intervalos curtos podem ser expostos aos dois extremos, uma chuva forte segue muitas vezes um aquecimento quase que imediato. Outra especialização são órgãos especiais das folhas, os hidatódios, através dos quais há perda de água em estado líquido. Algumas plantas desenvolvem órgãos vesiculosos transparentes que determinam uma concentração de luz, agindo como lentes. As células salientes da epiderme superior de muitas plantas de sombra funcionam assim. A folha toda de Peperomia nummularifolia forma uma lente convergente o que possibilita a sobrevivência nos lugares mais sombrios da floresta (WETTSTEIN, 1970).
    RICHARDS (1971) relata que as synusiae, grupos de plantas de forma de vida semelhante, ocupando o mesmo nicho e executando um papel semelhante na comunidade a qual pertence, das florestas ombrófilas não são facilmente observáveis. A primeira vista parecem um caos de vegetação, confirmando a famosa frase de Junghuhn, que existe um horror vacui e as plantas procuram preencher cada espaço disponível. Observando mais cuidadosamente porém pode ser identificado um número limitado de synusiae que mostram um arranjo complicada no espaço. O padrão deste arranjo pode ser encontrado em todas as florestas tropicais do mundo. O esquema seguinte é muito simplificado, mas é facilmente aplicável:

A. Plantas autotróficas (com clorofila) B. Plantas heterotróficas (sem clorofila)
1. Plantas mecanicamente independente
    (arranjados em vários) estratos
a) Árvores e arbustos
b) Ervas
2. Plantas mecanicamente dependentes
a) Trepadeiras
b) Constrictoras
c) Epífitas (incluindo epífitas semi-parasíticas)

1. Saprófitas
2. Parasitas.

Geralmente encontra-se três estratos (A, B, C) de plantas arbóreas, um estrato D, comumente chamado de estrato arbustivo, que é formado principalmente de plantas lenhosas mas também de herbáceas, e finalmente o estrato E, o estrato terrestre, que consiste de ervas e plântulas de regeneração natural das árvores. Cada um destes estratos tem uma composição florística diferente e característica. Menos nos estratos A e B tem indivíduos imaturos de espécies que passarão para os estratos superiores quando alcançar a maturidade. As copas das árvores de cada estrato tem formas características, no estrato A elas tendem a ter forma de guarda-chuva, no estrato B elas são ou tão baixas como largas, ou até mais baixas, e no estrato C cônicas e afiladas, muito mais baixas do que largas (RICHARDS, 1971).

FLORESTA OMBRÓFILA DENSA ALUVIAL

LEITE (1994) descreve a floresta ombrófila densa aluvial como uma formação da planície litorânea estabelecida próxima aos cursos de água, sobre depósitos aluvionares com topografia pouco alterada, sem influência da água do mar e influenciadas por inundações fluviais periódicas. Constitui um agrupamento ciliar multi-estratificado, onde predominam espécies madeireiras de baixa densidade.
O IBGE (1992) estabelece a definição de "...uma formação ribeirinha ou "floresta ciliar" que ocorre ao longo dos cursos de água ocupando os terraços antigos das planícies quaternárias....". Encontra-se macro, meso e microfanerófitos de rápido crescimento que geralmente possuem casca lisa, tronco cônico, as vezes com a forma típica de botija e raízes tabulares. No estrato intermediário ocorre Euterpe edulis em abundância, na submata encontra-se nanofanerófitos e caméfitos e plântulas de regeneração natural do estrato emergente. Tipicamente há muitas lianas lenhosas e herbáceas e muitas epífitas, porém poucas parasitas. Calophyllum brasiliense, o guanandi, é a ochlospécie que ocorre em todas as bacias brasileiras, ocupando sempre planícies que são inundadas freqüentemente.
Os solos onde ocorrem estas formações são aluviões, com horizonte A superficial, formados por acumulação de detritos (principalmente de origem mineral como areias, seixos e argilas) carregados e depositados pelos rios durante as “cheias”. Esse processo de acumulação de resíduos, aos quais se somam os orgânicos que lhes confere um padrão de alta fertilidade. Eles podem ser hidromórficos ou não e as suas características morfológicas físicas e químicas são muito variáveis (RACHWAL & CURCIO, 1994).
Na APA Guaraqueçaba a maioria deste tipo de floresta nas planícies foi destruída ou pele menos fortemente alterada pela ação do homem. Somente em níveis de 500 - 700 m podem ser observados florestas mais ou menos intactas. As espécies que predominam geralmente são: o tapiá, o leiteiro (Sapium glandulatum), a figueira-branca, o baguacú (Talauma ovata), o aguaí (Chysophyllum sp.)m i guacá-de-leite, o guapuruvu, a figueira-de-folhas-miúdas (Ficus enormia), a estopeira, o guamirim-chorão, a laranjeira-do-mato e outros membros da família das mirtáceas. Em número menor aparecem: canjerana, a licurana, o cedro, o limão-do-mato, o guamirim-aracá (Myrcia glabra), o carvoeiro (Amioua guianensis), a tajuva (Chlorophora tinctoria), o ingá, o camboatá e a guaçatunga. O palmito (Euterpe edulis) domina no estrato médio e se desenvolve bem em função da alta fertilidade destes solos. Ainda têm a guapurunga, o guamirim-branco, a guamirim-vermelho, o vacum, o catiguá-de-morcego, a juruvarana, o bacupari, o coração-de-bugre e a baga-de-macaco. No estrato arbustivo encontras-se com maior freqüência a grandiúva-d'anta, o tucum, a baga-de-pomba e a guaminhova. Caetês, o caetê-banana e a canafístula se destacam no estrato herbáceo (RODERJAN & KUNIYOSHI, 1988).

FLORESTA OMBRÓFILA DENSA DE TERRAS BAIXAS OU DA PLANÍCIE LITORÂNEA

Esta formação ocupa geralmente nos terrenos quarternários, pouco acima do nível do mar nas planícies costeiras formadas pelo assoreamento devido à erosão existente nas serras costeiras e nas enseadas marítimas. Duas ochlospécies dominam: Calophyllum brasiliense e Ficus organensis (IBGE, 1992).
Segundo LEITE & KLEIN (1990) as planícies quarternárias geralmente se situam abaixo dos 30 m de altitude e estão sujeitas à inundações. Isto impede o desenvolvimento de espécies fisionomicamente representativas de ambientes mais secos. As espécies arbóreas que mais ocorrem, em ordem de importância fisionômica, são as seguintes: figueira-de-folha-miúda (F. organensis), tapiá-guaçu (Alchornea triplinvervia), olandi (C. brasiliense), ipê-amarelo (Tabebuia umbellata), guacá-de-leite (Pouteria cenosa), baguaçu (Talauma ovata), leiteiro (Brosimum lactescens) e guamirim-ferro (Myrcia glabra).
RODERJAN & KUNIYOSHI (1988) descrevem este tipo de floresta como "...uma formação arbórea bem desenvolvida com elementos dominantes formando um dossel denso e homogêneo em torno de 20 a 25 metros de altura....". Estas florestas ocupam as planícies e terraços de sedimentos arenosos sobre solos podzólicos de drenagem moderada. São quase totalmente substituídas por atividades antrópicas.
As espécies arbóreas que caracterizam esta formação florestal são geralmente seletivas higrófilas, e encontram neste ambiente condições ótimas de desenvolvimento. Isto é evidenciado pelas copas bem desenvolvidas e os troncos bem formados. Entre as espécies que determinam a fisionomia e estrutura da floresta destacam-se: as figueiras (Ficus spp.) e o guanandi (C. brasiliense) sobre solos mais úmidos e a cupiúva (Tapirira guianensis) em solos de melhor drenagem. As espécies que participam em menor número do estrato superior são p.ex.: a maçaranduba (Manilkara subsericea), o ipê-da-várzea (Tabebuia umbellata), a licurana (Hyeronyma alchorneoides), o embirussú (Pseudobombax grandiflorum), a bocuva (Virola olifera), a canela-nhutinga (Cryptocarya aschersoniana) e a estopeira (Cariniana estrellensis) (RODERJAN & KUNIYOSHI, 1988).
Num segundo estrato da floresta encontra-se o miguel-pintado (Matayba guianensis), pindaíba (Xylopia brasiliensis), guaricica (Vochysia bifalcata), ingá-macaco (Inga sessilis), jacarandá-lombriga (Andira anthelmintica), tapiá (Alchornea triplinervis) e o guamirim-vermelho (Gomidesia spectabilis). Muitas destas espécies podem também participar do primeiro estrato. Existem várias espécies de palmeiras que são características no interior da floresta: o jerivá (Cocos romanzoffianum), o indaiá (Attalea dubia) e em maior abundância o palmito (Euterpe edulis) (RODERJAN & KUNIYOSHI, 1988).
No estrato herbáceo-arbustivo encontra-se muitas bromélias terrestres (Aechmea, Vriesia e Bromelia spp.), xaxins (Aslophila, Nephelia e Cyathea spp.), erva-d'anta (Psychotria spp.), caetês (Calathea spp.) e a palmeira tucum (Bactris lindmaniana). Aráceas do gênero Philodendron e bromeliáceas dos gêneros Nidularium, Aechmea e Vriesia spp. são as epífitas de maior abundância (RODERJAN & KUNIYOSHI, 1988).

FLORESTA OMBRÓFILA DENSA SUBMONTANA

Segundo o IBGE (1992) esta formação florestal é composta por fanerófitos de alturas aproximadamente uniformes, raramente ultrapassando 30 m. Na submata encontra-se plântulas de regeneração natural, alguns nanofanerófitos e caméfitos, palmeiras de porte pequeno e bastante lianas herbáceas.
GUAYPASSÚ (1994) encontrou as palmeiras Euterpe edulis (palmito), Genoma elegans Mart. (guaricana) e poucas brejaúvas (Astrocaryum aculeatissimum) no interior da floresta.
KLEIN, apud RODERJAN & KUNIYOSHI (1988), realça que a maioria das espécies é seletiva higrófila, em associação com outras indiferentes. O interior destas florestas é bastante úmido e mal ventilado, rico em epífitas e existe um espesso manto de detritos vegetais. O palmito é a palmeira mais presente na submata.
O dossel é composto por espécies variadas, algumas delas mostram habitat tropical e dificilmente ultrapassam o nível subseqüente das formações montanas (600 m a.n.m.), como p.ex. o guapuruvu e a bocuva. Outras espécies bastante comuns são: o pau-sangue (Pterocarpus violaceus), o guatambu (Aspidosperma olivaceum), a laranjeira-do-mato (Sloanea guianensis), as figueiras (Ficus sp.), a licurana, o tapiá, a canela-nhutinga, o araribá (Centrolobium robustum), a cupiúva, o pinho-bravo, o cedro (Cedro fissilis), a canjerana (Cabralea canjerana), a maçaranduba e outras (RODERJAN & KUNIYOSHI, 1988).
GUAPYASSÚ (1994), numa floresta perto de Morretes - Paraná, registrou as seguintes espécies como dominantes do primeiro estrato: Cariniana estrellensis (jecitibá), Pseudopiptadenia warmingii (caovi), Talauma ovata (baguaçu), Manilkara subericea (maçaranduba) e Sloanea guianensis (laranjeira-do-mato). O guapuruvu (Schyzollobium parahyba) também faz parte do dossel, mas não mostra sinais de regeneração.
No estrato intermediário encontra-se também espécies características para um ambiente tropical: o palmito, a erva-de-macuco, a embaúba nas clareiras mais iluminadas, o bacupari, a tabocuva ou seca-ligeiro (Pera glabrata), o ingá-macaco, a baga-de-morcego (Guarea sp.), o cuvatã, os guamirins (Gomidesia, Marlierea, Calyptranthes e Myrceugenia spp.) e palmeiras dos gêneros Cocos (jerivá), Bactris (tucum), Attalea (indaiá) e Astrocaryum (brejaúva) (RODERJAN & KUNIYOSHI, 1988).
GUAPYASSÚ (1994) cita como espécies características do segundo estrato: o guamirim-bravo (Gomidesia flagelaris), a almécega-vermelha (Pausandra morisiana), a canela-pimenta (Ocotea teleiandra), o bacupari, (Garcinia gardneriana) e o guamirim (Calyptranhtes grandifolia). Ainda mais são presentes exemplares jovens de espécies que ocupam o dossel.
No terceiro estrato arbóreo GUAPYASSÚ (1994) encontrou como espécies típicas o baga-de-morcego (Guarea macrophylla), á erva-d'anta (Psychotria nuda), o véu-de-noiva (Rudgea jasminoides), a pimenteira (Mollinedia triflora), palmito (Euterpe edulis) e duas espécies de xaxim.
No estrato herbáceo-arbustivo destacam se xaxins, caetê, caetê-banana (Heliconia sp.), erva-cidreira (Hedyosmum brasiliense) e erva-d'anta. Existem muitas bromeliáceas (terrestres e Epífitas) lianas (bigoniáceas, sapindáceas e leguminosas), aráceas epífitas como Phylodendron sp., rubiáceas e melastomatáceas (RODERJAN & KUNIYOSHI, 1988).
GUAPYASSÚ (1994) realça o grande número de epífitas e lianas. Ela registrou a presença de epífitas em 70 % das árvores e de lianas em 43 %.
FERRI (1980) menciona um detalhe interessante sobre a embaúba (Cecropia sp.). Ele é a única espécie fora da região amazônica que se associa com formigas, fato bastante comum lá. A finalidade desta associação ainda não foi esclarecida.

FLORESTA OMBRÓFILA DENSA MONTANA

Esta formação florestal pode ser encontrada no Sul do país em altitudes de cerca de 500 m a 1500 m. Esta estrutura "... é mantida até próximo ao cume dos relevos dissecados, quando solos delgados ou litólicos influenciam no tamanho dos fanerófitos, que se apresentam menores. A estrutura florestal do dossel uniforme (mais ou menos 20 m) é representada por ecótipos relativamente finos com casca grossa e rugosa, folhas miúdas e de consistência coriácea,...No sul do Brasil a Coniferales Podocarpus, único gênero tropical que apresenta dispersão até a zona equatorial, é típica dessa formação, ocorrendo por vezes juntamente com os gêneros da família Lauraceae (Ocotea e Nectandra) e outras espécies de ocorrência Pantropical....." (IBGE, 1992).
 Na Serra do Mar, de natureza granítica ou gnáissica, as florestas são sujeitas a alta umidade do ar. Os ventos úmidos que sopram do mar, sobem a serra e quando resfriam-se a água contida neles condensa-se e precipita como nevoeiro ou chuva (FERRI, 1980).
Segundo RODERJAN & KUNIYOSHI (1988) os solos neste ambiente são altamente lixiviados e de fertilidade moderada, isto em função da drenagem intensa. Espécies tropicais tornam-se raros, observa-se espécies seletivas higrófilas ou seletivas xerófilas. As árvores mais altas da floresta montana são da família das leguminosas. Elas possuem copas amplas e dominantes, como p.ex. o caovi (Newtonia glaziovii) e o pau-óleo (Copaifera trapezifolia), que atingem alturas maiores de 30 m. Outras espécies que ocorrem no estrato superior são: o guatambu, o ipê-amarelo (Tabebuia cf. alba), a licurana, a canjerana, o cedro, o tapiá, a guapeva (Pouteria torta), o baguaçu (Talauma ovata) e o guaraparim (Vantanea compacta).
O interior dessas florestas é semelhante ao interior das florestas submontanas, porém o palmito desaparece como característico acima de 700-800 a.n.m. No estrato arbóreo intermediário ocorrem com freqüência a gramimunha (Weinmania sp.), ingá-macaco, ingá-feijão (Inga marginata), baga-de-macaco (Posoqueria latifolia), almesca (Protium kleinii), guaraperê (Lamanonia speciosa), guamirins e canelas (Lauráceas) (RODERJAN & KUNIYOSHI, 1988).
O estrato herbáceo-arbustivo é caracterizado por bromeliáceas terrestres, pteridófitas, melastomatáceas e rubiáceas. A guaricana (Geonoma schottiana) é bastante comum, e as vezes pode-se encontrar regeneração natural do palmito. Entre as epífitas destacam-se o cipó-imbé (Philodendron sp.) e bromeliáceas (RODERJAN & KUNIYOSHI, 1988).

FLORESTA OMBRÓFILA DENSA ALTOMONTANA

Nas altitudes superiores a 1000 m encontra-se a chamada mata nebular ou floresta nuvígena, uma vegetação arbórea densa baixa com um dossel uniforme, indivíduos tortuosos, abundantemente ramificados e nanofoliados, revestidos de epífitas, musgos, hepáticos etc. Estes ambientes são constantemente saturados de umidade, e a temperatura média pode ser abaixo de 15º C. Dominam mirtáceas e aquifoliáceas e as seguintes espécies são características do ambiente: gramimunha-miúda (Weinmania humilis), cambuí (Siphoneugena reitzii), guaperê (Clethra scabra), quaresmeira (Tibouchina sellowiana), jabuticaba-do-campo (Eugenia pluriflora), guamirim (Eugenia obtecta), congonha (Ilex theezans) e caúna (Ilex microdonta) (LEITE & KLEIN, 1990).
WETTSTEIN (1970) ressalta que ainda há formações florestais nas regiões altas do Itatiaia, até 2100 m de altitude. Observa-se o recuo das angiospermas epifíticas e das lianas. Floresta pode ser encontrada em vales e depressões maiores, onde a umidade relativa é alta. A vegetação é sempre verde e constituída por árvores e arbustos baixos. Mesmo com temperaturas de até -4º C durante a noite, existem orquídeas epifíticas sobre as árvores (Sophronitis sp. e Maxilaria sp.) e Bromeliáceas congeladas.
MAACK (1981) descreve esta formação florestal no Paraná como mata de neblina "...estreitamente aglomerada e constituída por arbustos raquíticos cobertos por epífitas, pequenas bromeliáceas, musgos, pteridófitas e orquídeas. Grandes bromeliáceas terrestres dificultam a entrada no matagal."
Segundo RODERJAN & KUNIYOSHI (1988) porte, estrutura e composição destas formações variam conforme altitude e espessura dos solos, de um modo geral são mais uniformes e homogêneas do que as florestas em altitudes menores. As árvores e arvoretas geralmente são mal formadas e tortuosas. A maioria das espécies é seletiva xerófila, adaptada às condições desfavoráveis e à intensa insolação e ocorrem também nas restingas sub-xerófitas sobre solos desfavoráveis. São entre outros: a gramimunha, o mangue-do-mato (Clusia criuval), o pinho-bravo, a cataia ou casca-d'anta (Drymis brasiliensis), as aquifoliáceas Ilex dumosa e I. theezans (caúnas), o cocão (Erythroxylum cuspidifolium), a orelha-da-onça (Symplocos celastrina) e mirtáceas dos gêneros Eugenia, Myrcia e Myrceugenia (guamirins e cambui). Em lugares favorecidos podem ocorrer espécies típicas de altitudes menores, porém apresentam pior desenvolvimento: p.ex. o guaraperê, o ipê-da-serra, o carvalho (Roupala sp.), a baga-de-pomba (Byrsonima ligustrifolia), a caroba (Jacaranda sp.), o cuvatã, o miguel-pintado e a carne-de-vaca (Clethra scabra). No estrato herbáceo-arbustivo encontra-se bromélias (Vriesia spp.) e pteridófitas (Gleichenia e Polystichum spp.).

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Os textos são extraídos de um trabalho maior: Aspectos da vegetação do Sul do Brasil - especialmente do Paraná. Para ver o arquivo inteiro clique no link seguinte. O arquivo é grande, tem 4 MB!!!


 ASPECTOS DA VEGETAÇÃO DO SUL DO BRASIL -
ESPECIALMENTE DO ESTADO DO PARANÁ

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Last modified on Saturday, January 22, 2000