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Referência ecológica, a reserva está
com sua beleza natural comprometida por causa do acúmulo de lixo
e aparência de abandono
Kristhian Kaminski
Englobando as Ilhas de Superagüi e das Peças, numa extensão
total de 21.400 hectares, dos quais 30 quilômetros de praias desabitadas,
o Parque Nacional do Superagüi é um dos principais pontos de
referência do turismo ecológico no Paraná. No entanto,
embora seja apontado também como um dos principais pontos de pesquisa
sobre fauna e flora da Mata Atlântica - abrigando dezenas de espécies
ameaçadas de extinção, aquela reserva ecológica
sofre uma série de problemas.
O primeiro deles é a dificuldade na coleta do lixo, que muitas
vezes acumulado acaba por comprometer a beleza das praias paradisíacas
abrangidas pelo parque. "O próprio pessoal do Superagüi faz
a coleta e remoção do lixo, através de uma parceria
com a Secretaria do Meio Ambiente, além da própria prefeitura.
Mas o que aconteceu recentemente foi que tivemos uma maré alta e
por causa das dificuldades de transporte, muito lixo acabou ficando acumulado
nas praias", explica Ivair Barbosa Colombes, coordenador do programa Baía
Limpa em Guaraqueçaba.
Transporte
Segundo Colombes, como o barco da prefeitura não é usado
somente para transportar o lixo, ele não tem sido empregado para
esse fim ultimamente. "No momento, estamos usando apenas o barco de dois
pescadores. A Secretaria do Meio Ambiente nos mandou agora um barco para
o serviço, mas ele ainda está em Paranaguá, esperando
liberação de documentação", afirma. De qualquer
forma, os resíduos acabam ficando acumulados até que se forme
um volume suficiente para encher as embarcações.
"Outro problema que gera muita reclamação, por outro lado,
é o preço do transporte até a Ilha. Alguns barqueiros
cobram R$ 70,00, outros R$ 100,00 e todo mundo reclama que é muito
caro. Para solucionar essa diferença de preços, informa,
está sendo formada uma Associação de Barqueiros, a
fim de uniformizar o valor da tarifa.
Saúde
Mas não só o lixo e o preço do transporte são
apontados como problemas pelos moradores. O posto de saúde localizado
dentro do parque funciona em condições precárias.
Para começar, o telefone que consta no manual da Operação
Ecoverão como sendo do "Miniposto de Saúde do Superagüi"
é, na verdade, de um posto telefônico muito distante. "No
posto de saúde realmente há problemas. Falta medicamentos
e muitas vezes os pacientes têm que ser levados a Guaraqueçaba",
diz Alberto André dos Santos, que trabalha no posto telefônico.
"Além disso, médico só vem aqui uma vez por mês",
reclama.
Espécies ameaçadas
de extinção
Criado em 1989, o Parque Nacional do Superagüi possui cerca de
30 quilômetros de praias desabitadas, Floresta Atlântica, restingas
e manguezais, sendo um dos cinco ecossistemas costeiros mais importantes
do mundo. Ali são encontrados pássaros ameaçados de
extinção, como o jaó-do-litoral, o aracuã,
o gavião-pombo, a saracura, o papagaio-chuá e o pavão
do mato.
Os maçaricos, aves migratórias, fazem do parque local
de descanso em seu trajeto de deslocamento para o hemisfério Norte.
Entre os animais mais raros encontrados na área de abrangência
da reserva estão o jacaré-de-papo-amarelo, as onças
parda e pintada e o mico-leão-da-cara-preta, além dos macacos
sauá. O Superagüi guarda ainda uma infinidade de espécies
vegetais, como ipês, jacarandás, cachetas e orquídeas.
Na edição deste ano, o Guia de Praias Quatro Rodas apontou
o Parque Nacional do Superagüi como um dos 13 melhores locais para
a prática de trekking - caminhada por trilhas - de todo o país.
A publicação dividiu os locais visitados em três categorias,
levando em consideração as atrações turísticas
existentes: "muito interessante", "interessante" e "de algum interesse",
conferindo à reserva paranaense a primeira classificação.
(KK)
Como chegar até o parque
O acesso até o Parque Nacional do Superagüi normalmente
é feito através de barco, a partir de Paranaguá ou
então de Guaraqueçaba, sendo este último o menos demorado.
Como não há tabela de preços, é preciso combinar
antes com o dono da embarcação qual será o valor do
deslocamento. Em média, a tarifa pode variar entre R$ 70,00 e R$
100,00, ficando o barco à disposição do visitante
durante sua estada.
Embarcações mais velozes, como lanchas, porém,
podem custar até R$ 150,00. Neste último caso, a partir de
Paranaguá, a travessia demora perto de uma hora. Melhores informações
a respeito dos valores e dos locais onde podem ser encontrados barcos para
a travessia podem ser obtidas no posto do Ibama, que fica a dois quilômetros
de Guaraqueçaba, ou então através do telefone (041)
455-1564. (KK)
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