Reportagem publicada na Gazeta do Povo, 27 de fevereiro de 1999.

Parque do Superagüi vive série de problemas

           Englobando as Ilhas de Superagüi e das Peças, numa extensão
           total de 21.400 hectares, dos quais 30 quilômetros de praias
           desabitadas, o Parque Nacional do Superagüi é um dos
           principais pontos de referência do turismo ecológico no Paraná.
           No entanto, aquela reserva ecológica sofre uma série de
           problemas, como a dificuldade na coleta do lixo, que muitas
           vezes acumulado acaba por comprometer a beleza das praias
           paradisíacas abrangidas pelo parque.
 
 

Referência ecológica, a reserva está com sua beleza natural comprometida por causa do acúmulo de lixo e aparência de abandono

Kristhian Kaminski

Englobando as Ilhas de Superagüi e das Peças, numa extensão total de 21.400 hectares, dos quais 30 quilômetros de praias desabitadas, o Parque Nacional do Superagüi é um dos principais pontos de referência do turismo ecológico no Paraná. No entanto, embora seja apontado também como um dos principais pontos de pesquisa sobre fauna e flora da Mata Atlântica - abrigando dezenas de espécies ameaçadas de extinção, aquela reserva ecológica sofre uma série de problemas.

O primeiro deles é a dificuldade na coleta do lixo, que muitas vezes acumulado acaba por comprometer a beleza das praias paradisíacas abrangidas pelo parque. "O próprio pessoal do Superagüi faz a coleta e remoção do lixo, através de uma parceria com a Secretaria do Meio Ambiente, além da própria prefeitura. Mas o que aconteceu recentemente foi que tivemos uma maré alta e por causa das dificuldades de transporte, muito lixo acabou ficando acumulado nas praias", explica Ivair Barbosa Colombes, coordenador do programa Baía Limpa em Guaraqueçaba.

Transporte

Segundo Colombes, como o barco da prefeitura não é usado somente para transportar o lixo, ele não tem sido empregado para esse fim ultimamente. "No momento, estamos usando apenas o barco de dois pescadores. A Secretaria do Meio Ambiente nos mandou agora um barco para o serviço, mas ele ainda está em Paranaguá, esperando liberação de documentação", afirma. De qualquer forma, os resíduos acabam ficando acumulados até que se forme um volume suficiente para encher as embarcações.

"Outro problema que gera muita reclamação, por outro lado, é o preço do transporte até a Ilha. Alguns barqueiros cobram R$ 70,00, outros R$ 100,00 e todo mundo reclama que é muito caro. Para solucionar essa diferença de preços, informa, está sendo formada uma Associação de Barqueiros, a fim de uniformizar o valor da tarifa.

Saúde

Mas não só o lixo e o preço do transporte são apontados como problemas pelos moradores. O posto de saúde localizado dentro do parque funciona em condições precárias. Para começar, o telefone que consta no manual da Operação Ecoverão como sendo do "Miniposto de Saúde do Superagüi" é, na verdade, de um posto telefônico muito distante. "No posto de saúde realmente há problemas. Falta medicamentos e muitas vezes os pacientes têm que ser levados a Guaraqueçaba", diz Alberto André dos Santos, que trabalha no posto telefônico. "Além disso, médico só vem aqui uma vez por mês", reclama.

Espécies ameaçadas de extinção

Criado em 1989, o Parque Nacional do Superagüi possui cerca de 30 quilômetros de praias desabitadas, Floresta Atlântica, restingas e manguezais, sendo um dos cinco ecossistemas costeiros mais importantes do mundo. Ali são encontrados pássaros ameaçados de extinção, como o jaó-do-litoral, o aracuã, o gavião-pombo, a saracura, o papagaio-chuá e o pavão do mato. 

Os maçaricos, aves migratórias, fazem do parque local de descanso em seu trajeto de deslocamento para o hemisfério Norte. Entre os animais mais raros encontrados na área de abrangência da reserva estão o jacaré-de-papo-amarelo, as onças parda e pintada e o mico-leão-da-cara-preta, além dos macacos sauá. O Superagüi guarda ainda uma infinidade de espécies vegetais, como ipês, jacarandás, cachetas e orquídeas.

Na edição deste ano, o Guia de Praias Quatro Rodas apontou o Parque Nacional do Superagüi como um dos 13 melhores locais para a prática de trekking - caminhada por trilhas - de todo o país. A publicação dividiu os locais visitados em três categorias, levando em consideração as atrações turísticas existentes: "muito interessante", "interessante" e "de algum interesse", conferindo à reserva paranaense a primeira classificação. (KK)

Como chegar até o parque

O acesso até o Parque Nacional do Superagüi normalmente é feito através de barco, a partir de Paranaguá ou então de Guaraqueçaba, sendo este último o menos demorado. Como não há tabela de preços, é preciso combinar antes com o dono da embarcação qual será o valor do deslocamento. Em média, a tarifa pode variar entre R$ 70,00 e R$ 100,00, ficando o barco à disposição do visitante durante sua estada.

Embarcações mais velozes, como lanchas, porém, podem custar até R$ 150,00. Neste último caso, a partir de Paranaguá, a travessia demora perto de uma hora. Melhores informações a respeito dos valores e dos locais onde podem ser encontrados barcos para a travessia podem ser obtidas no posto do Ibama, que fica a dois quilômetros de Guaraqueçaba, ou então através do telefone (041) 455-1564. (KK)