
O FANDANGO
O fandango é a dança típica do litoral paranaense, e já teve dias melhores em Superagüi. Infelizmente hoje em dia há poucas pessoas que ainda saibam dançar, cantar e tocar o fandango. Ainda mais, não há nenhum espaço apropriado para a formação de um grupo de fandango (é preciso de um tablado de madeira) e também não há instrumentos e tamancos suficientes. Seria muito bom, se alguém ajudasse na revitalização do fandango em Superagüi (p.ex. através de doação de instrumentos, tamancos, roupas etc.). Atualmente, Seu Zé Squinini, Seu Antonio Lotério e Seu Pedro Miranda são os violeiros, Seu Nilson e Seu Antônio Cardoso no adufe (pandeiro) e surdo e o Seu Alcides como dançarino mais ativo. E há outros mais que participam com menos freqüência.
O Seu Leonildo Pereira é um fandangueiro e fabricante de rabecas e violas caipiras, originário do Rio dos Patos, que agora mora no Abacateiro. Às vezes ele está sendo convidado para tocar no Superagüi. Foi lançado um CD da família dele em conjunto com a banda Viola Quebrada (Família Pereira e Viola Quebrada: Viola Fandangueira) que é muito bom. Para adquiri-lo entre em contato com Viola Quebrada vq@uol.com.br, o preço do CD duplo é de R$ 30 mais eventuais despesas de correio (Às vezes o CD pode ser adquirido no bar do Laurentino).
Clique aqui para ouvir uma amostra do fandango da Família Pereira.

Capa do CD
Recomendo
também o livro "Os Tocadores - Homem, Terra, Música e Cordas" da
autoria de Lia Marchi, Juliana Saenger e Roberto Corrêa, Editora Olaria, que trata dos fandangueiros do Paraná
(entre eles a família Pereira) e da música do Brasil central. Para ler uma
entrevista com a Lia, clique aqui e
para ler outra matéria sobre o livro na internet clique aqui.
Em
2003 foi lançado mais um livro sobre o fandango, "Fandango de
Mutirão", organizado pela Lu Brito. O livro pode ser adquirido na Livraria
Dario Veloso em Curitiba (Largo da Ordem, Tel. 41/223-7542) ou diretamente com a Lu (mariadelourdes@superig.com.br).
O livro custa R$45 e contem um CD com músicas da Família Pereira e do Grupo
Mestre Romão de Paranaguá. Clique aqui
para ler a apresentação do livro.
Leia também o artigo O Paraná caiçara bate pé pelo fandango no jornal "A Nova Democracia".
Clique aqui para ouvir o fandango do Grupo Mestre Romão.
Fandangos do Paraná: Histórico
“O Fandango é uma dança de origem espanhola ‘viva’, dançada individualmente ou por par solista, apresentando sapateado, castanholas, meneios, requebros, acompanhada de guitarra e canto, rica em sensualismo e agilidade”. (GIFFONI, 1982). O fandango foi dançado nos salões aristocráticos desde o século XVIII, na Europa e, depois na América, proveniente de danças populares da idade média. Dantas apud Roderjan (1981), conta que o fandango era dançado em Lisboa no séc. XVIII, do paço dos reis às vielas da mouraria e que este era dançado principalmente ao norte de Portugal, de onde vêm muitos portugueses para o Paraná. Seu desprestígio, ocorreu devido às proibições das ordenanças reais e as censuras eclesiásticas, que o consideravam licencioso e herege.
Azevedo (1978), comenta que no Paraná o fandango é uma festa típica dos habitantes da faixa litorânea do Estado, no qual se encontram várias danças regionais que são denominadas marcas do fandango. Existem perto de trinta marcas diferentes e outras próprias de cada região em que se dança o fandango. Dentre elas temos: Xarazinho, Xará-Grande, Queromana, Tonta, Dondom, Chamarrita, Passeado, Feliz, Serrana, Sabiá, Caradura, Sapo, Tatu, Porca, Estralada, Pipoca, Mangelicão, Coqueiro, Pega-fogo e outras. As que mais nos interessa são: Anu (corrido), Lageana, Vilão de Lenço, Cana-verde e Recortado que veremos mais adiante. Em meados do século XVII, Paranaguá foi povoada por sucessivas levas de paulistas e também de portugueses vindo de são Paulo ou diretamente de Portugal, pelo porto de Paranaguá. Por isso se diz que o fandango, no Paraná, foi trazido pelos portugueses e pelos luso-brasileiros, mais propriamente pelo paulista, pois há referências de que caboclos paranaenses, iriam até o estado para “baterem” o fandango. O fandango do Rio Grande do Sul, chegou ao Paraná depois de 1940, completamente modificado de suas origens, exercendo influência sobre o paranaense, pois uniu o fandango vicentista (São Vicente/SP), com cantigas de açorianos que povoaram o sul, que criaram características próprias de acordo com a população encontrada em cada região.
Características: As danças do fandango podem ser valsadas/bailadas – arrastando-se os pés ou batidas/sapateadas. As valsadas são uma espécie de valsa lenta, em que cada dançarino baila em geral com o mesmo para, mais se arrastando do que dançando. As batidas se caracterizam pelo sapateado forte e barulhento, batido a tamanco ou sapato no soalho, que abafam quase que completamente a música do conjunto, que é feito exclusivamente pelos homens. Os sapateados finais são chamados de arremate e seguem-se ao grito de um dos violeiros como sinal para indicar o fim de qualquer marca: “Ô de casa !” A esse sinal as mulheres saem da roda e os homens batem o arremate. As marcas valsadas também são intercaladas depois de duas ou três batidas para descanso dos dançarinos. Aos dançarinos denomina-se folgadores e folgadeiras, por que dançavam geralmente na folga do sábado para o Domingo. Também era dançado nos sítios quando terminavam os trabalhos de roçado ou plantação.
Vários autores se referem ao fato de o fandango ter animado os festejos do paço de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, as festanças palacianas, as altas classes de estanceiros gaúchos, até 1840. Depois se recolheu às estâncias e fazendas (dançado pelas famílias), aos sítios, povoados e aos galpões dos peões do Rio Grande do Sul. No oeste e sudoeste do Paraná, os Centros de Tradições Gaúchas (CTG), divulgam as danças que já foram comuns no Paraná, fazendo aproveitamento folclórico do que restou das danças dos antigos fandangos. Acredita-se que dentro das próximas duas ou três gerações, estas danças estejam extintas, pois atualmente, são dançadas apenas pelos idosos, e os jovens não se interessam mais por este tipo de dança.
BIBLIOGRAFIA:
AZEVEDO, Fernando C. Fandango do Paraná.
GIFFONI, Maria A. Amélia. Danças Folclóricas Brasileiras
E last not least, a turma de Superagüi e Seu Leonildo em ação no carnaval de 2002 no Bar do Laurentino em Superagüi:

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Última atualização: 29 de março de 2004