PROTEÇÃO
AMBIENTAL
Papagaio-de-cara-roxa está
ameaçado
Entidades conservacionistas lutam para preservar a espécie encontrada
no litoral do PR
Luciane Chiarelli
Paranaguá - Os planos de preservação do
papagaio-de-cara-roxa e um levantamento dos trabalhos que vêm sendo
desenvolvidos foram discutidos durante o 1.º Workshop para a Conservação
do Papagaio-de-Cara-Roxa, na Reserva do Salto Morato, em Guaraqueçaba.
O evento, realizado na última semana, foi promovido pela Sociedade
de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS)
em parceria com The Nature Conservancy (TNC).
O papagaio-de-cara-roxa é uma das espécies do gênero
mais ameaçadas no mundo. "E a conservação é
importante porque faz parte de um ecossistema. A partir do momento em que
se retira um dos componentes deste ecossistema, ele entra em desequilíbrio",
ressalta a diretora de desenvolvimento da SPVS, Cláudia Belfort.
Extinção
Segundo ela, de 10 aves capturadas apenas uma sobrevive. O mercado de
tráfico de animais silvestres só perde para o tráfico
de drogas e armamento. "Mas a forma de aprisionamento destes animais é
cruel", diz Cláudia. As aves são retiradas dos ninhos, porque
voam muito alto, e são, geralmente, colocadas em tubos de PVC para
que possam ser levadas para outros estados e, até, para o exterior.
Atualmente, existem apenas 4,5 mil papagaios-de-cara-roxa que vivem
na área de Floresta Atlântica em 30 quilômetros de extensão,
que vai do sul de São Paulo, passa pelo Paraná, na região
de Guaraqueçaba, e vai até o extremo norte de Santa Catarina.
"Com a extinção desses animais que se concentram nesta faixa
de litoral, o mundo inteiro fica sem a espécie", lembra a diretora
da SPVS.
Características
Para a conservação da espécie, a SPVS realiza a
readaptação das aves em cativeiro para o habitat natural.
Também é feito um trabalho de educação ambiental
para adolescentes da Ilha Rasa, em Guaraqueçaba.
Os papagaios-de-cara-roxa se concentram na Ilha do Pinheirinho, no Parque
Nacional do Superagüi, onde costumam dormir. Atualmente, cerca de
1.200 aves ficam ali.
Eles são monogâmicos, se reproduzem em troncos ocos de
árvores da Floresta Atlântica. Voam em grupos, sempre em pares,
e com seus filhotes que ficam com os pais somente nos primeiros anos de
vida.
Alimentam-se de frutas, folhas, sementes, flores e néctar da
mata. Procriam uma vez por ano e põem de dois a três ovos
de cada vez. Mede, em média, 30 centímetros da cabeça
ao rabo. Os bandos dormem sempre numa determinada ilha e passam o dia em
outro local. Ao fim do dia, sobrevoam a área e retornam ao ninho.
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