A IMPORTÂNCIA ECONÔMICA
DA BIODIVERSIDADE - UMA ANÁLISE SOCIAL DE CUSTO
BENEFÍCIO PARA O PARQUE NACIONAL DO SUPERAGÜI
NO LITORAL NORTE DO ESTADO DO PARANÁ, BRASIL
THE ECONOMIC IMPORTANCE OF BIODIVERSITY A SOCIAL ANALYSIS OF COSTS AND BENEFITS TO NATIONAL PARK OF SUPERAGUI IN THE NORTHERN COAST OF STATE OF PARANÁ, BRAZIL
Autor:
Caio Paulo Smidt de Medeiros, e-mail cmedeiro@ibama.gov.brAbstract
The scientific economic opportunity of an
analysis of cost-benefit from a social standpoint is thus presented, under a
ecological view, for the case of Superagüi National Park located in the
northern coast of State of Paraná, Brazil. The application of the analysis
has revealed the annual net benefits, the direct and the indirect ones, and
the existence of the biodiversity conservation , the ecosystem’s functional
relations, as well as the beneficiaries and the costs of public policies.
Those results confirm, across the local level to the regional and the global,
the increasing of the economic benefits deriving from the biodiversity
conservation, and on the otherwise, there is an increasing of costs.
Resumo
O
atual estado da arte, na ciência econômica, propiciou a realização de uma
análise social de custo-benefício, sob uma perspectiva ecológica, para o
Parque Nacional do Superagüi, administrado pelo IBAMA e situado no litoral
Norte do Estado do Paraná, Brasil. A aplicação da análise revelou os benefícios
líquidos anuais diretos, indiretos e de existência da conservação da
biodiversidade e das funções ecossistêmicas, além de situar os beneficiários
e os custos das políticas públicas. Estes resultados confirmam que do nível
local para o regional e global, crescem os benefícios econômicos da conservação
da biodiversidade, enquanto que no sentido contrário crescem os custos.
INTRODUÇÃO
Ao longo da evolução e expansão econômica mundial, evidenciam-se
diferentes formas de articulação entre o desenvolvimento e os recursos da
biodiversidade. Estas são resultados de modelos de desenvolvimento que
permitiram, não só o crescimento populacional e um desenvolvimento desigual
em termos qualitativos, como também induziram a uma integração do comércio
internacional, a qual induziu distorções no uso, apropriação e conservação
deste recurso.
A biodiversidade, em termos de recursos, relaciona-se de forma dual com
o sistema econômico. Por um lado proporciona bens e serviços para as
atividades humanas e, por outro lado, atua na assimilação dos resíduos e
detritos gerados. Em termos globais, conforme Costanza e colaboradores (1997),
o valor dos serviços de ecossistemas e capital natural, representam 33 trilhões
de dólares anuais, uma estimativa média entre um mínimo de 16 e um máximo
de 54 trilhões de dólares, aproximando-se a quase duas vezes o PIB mundial.
No Brasil, estima-se que este valor atinja 45% do PIB, considerando-se a
atividade agroindustrial, a extração de madeiras e a pesca.
O Brasil, como país signatário da Convenção sobre a Biodiversidade,
realiza ações coerentes com os 3 novos princípios do relacionamento
internacional: soberania nacional sobre a biodiversidade, o reconhecimento da
necessidade de beneficiar os países detentores e a partição dos custos de
conservação in situ e ex-situ. Uma das ações previstas diz respeito à
manutenção de um sistema de áreas protegidas em cada país, o qual no
Brasil corresponde ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação, que visa
preservar, in situ, amostras representativas das 5 grandes áreas ecossistêmicas
brasileiras, Floresta Amazônica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Mata Atlântica.
Nos últimos anos, por outro
lado, tem sido colocada a questão dos custos e benefícios derivados destas
unidades e sua participação no desenvolvimento, isto é, o que representa
economicamente para a sociedade a manutenção destes Parques Nacionais.
Assim, de uma perspectiva ecológica, pode-se inferir que uma análise social
de custo-benefício visando a sustentabilidade dos recursos da biodiversidade
deve incluir também uma valoração monetária destes atributos.
O Ministério do Meio Ambiente, tem fomentado, através da Coordenação
de Diversidade Biológica, pesquisas para a definição de modelos integrados
para a conservação in situ da biodiversidade. Entre as linhas de pesquisa,
destaca-se a encetada por Ronaldo Seroa da Motta e colaboradores, a qual diz
respeito à valoração econômica de recursos ambientais. O referencial teórico
consistido nesta linha de pesquisa proporcionou uma evolução no atual estado
da arte da valoração econômica ambiental, possibilitando assim a estruturação
de um estudo de caso para a Unidade de Conservação Parque Nacional do
superagüi, administrada pelo IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis, no litoral Norte do Estado do Paraná.
Apresenta-se assim a oportunidade de uma análise social de custo-benefício
para uma área protegida, com a qual a expectativa é contribuir para a elucidação
da importância para a sociedade, em termos de desenvolvimento, da manutenção
e administração de um conjunto de amostras ecossistêmicas, in situ.
O artigo desenvolve-se em 2
partes conforme descrito a seguir: Na Parte I, coloca-se a importância econômica
da biodiversidade, partindo do marco global proporcionado pela Agenda 21 e a
Convenção Mundial para a Biodiversidade, e em seqüência, relevando as políticas
nacionais para a biodiversidade. A Parte II se refere a um estudo de caso para
o Parque Nacional do superagüi, uma unidade de conservação administrada
pelo IBAMA no Estado do Paraná, e assim são identificadas as variáveis do
objeto de estudo, a seguir a obtenção dos valores, e, finalmente é
realizada a análise social de custo-benefício, sob uma perspectiva ecológica.
PARTE I - A importância econômica da biodiversidade
1.1.O marco global - Agenda 21 e a Convenção Mundial
para a Biodiversidade
Costanza e colaboradores (1997), estimam que o valor dos serviços de
ecossistemas e capital natural, representa 33 trilhões de dólares anuais,
uma estimativa média entre um mínimo de 16 e um máximo de 54 trilhões de dólares,
aproximando-se a quase duas vezes o PIB mundial. No Brasil, estima-se que este
valor atinja 45% do PIB, considerando-se a atividade agroindustrial, a extração
de madeiras e a pesca, a partir dos recursos naturais manejados no âmbito do
país.
Desta forma, tem-se que a Convenção Mundial para o Meio Ambiente e
Desenvolvimento, a RIO 92, através da Agenda 21 e a Convenção sobre a
Biodiversidade, colocaram em primeiro plano a necessidade de integração
entre meio ambiente e desenvolvimento na tomada de decisões, de forma a
assegurar a sustentabilidade dos recursos ambientais. Esta integração entre
meio ambiente e desenvolvimento na tomada de decisões, ensejou o
dimensionamento de 3 princípios, relativos aos recursos da biodiversidade, a
serem observados nas relações internacionais:
I
- Cada país é soberano em relação aos recursos da biodiversidade situados
em seus limites. Isto significa um reconhecimento sobre os direitos do país
detentor, como no caso do Brasil, em que o sistema de pontuação elaborado
pelo SBSTTA - Órgão Subsidiário de Assessoramento Científico, Técnico e
Tecnológico da CDB - Convenção da Diversidade Biológica o situou no topo
em recursos da biodiversidade.
II
- As novas descobertas e usos econômicos viabilizados pela biotecnologia,
devem beneficiar ambos os países detentores, aquele que desenvolve a
tecnologia e aquele onde se situa o recurso da biodiversidade objeto da
pesquisa científica. Este é um ponto polêmico e de difícil implementação,
vis a vis, o modelo historicamente adotado de atribuir patentes para estas
descobertas científicas sem se preocupar com o país ou a região detentora
do recurso natural.
III
- Os países desenvolvidos cooperam com os países detentores da
biodiversidade para a manutenção in situ dos recursos, contribuindo com o
aporte de tecnologia e a partição dos custos. Este paradigma já é uma
realidade como pode-se constatar pelas linhas de crédito a fundo perdido ou
subsidiadas, destinadas aos países
detentores de recursos naturais.
1.2.Políticas nacionais para a biodiversidade
As políticas desenvolvidas pelo Brasil para a biodiversidade, podem
ser resumidas em componentes principais como a fiscalização, a pesquisa
científica, a educação ambiental e a gestão de áreas protegidas, entre as
consideradas de ação direta. Indiretamente situam-se as políticas de caráter
normativo que visam impulsionar os agentes econômicos em uma trajetória de
sustentabilidade no uso e exploração dos recursos naturais, tais como os
instrumentos econômicos que proporcionam subsídios e taxas menores para
determinadas atividades, bem como os regulamentos e sanções quando da ocorrência
de danos ambientais.
1.3.A importância da valoração de áreas protegidas
A valoração de áreas protegidas, como os Parques Nacionais por
exemplo, vem responder primeiramente a questão dos custos e benefícios
derivados destas unidades e sua participação no desenvolvimento, isto é, o
que representa economicamente para a sociedade a manutenção destas áreas.
Por outro lado, sabendo-se os custos e benefícios derivados da criação
e manutenção destas áreas, tem-se indicativos da eficácia das políticas públicas
que abrangem este setor, podendo-se então atribuir recursos financeiros para
as mesmas em uma escala de prioridades que pode ser comparada a outras políticas
como saúde e educação, por exemplo. Assim, de uma perspectiva ecológica,
pode-se inferir que uma análise social de custo-benefício visando a
sustentabilidade dos recursos da biodiversidade deve incluir também uma
valoração monetária destes atributos.
1.4.O marco teórico
A teoria neoclássica apresenta óbices para a satisfatória interpretação
econômica dos bens ambientais, conforme A.E. Comune (1994):
a)
a análise econômica neoclássica se baseia nos valores monetários de
mercado, mas o meio ambiente não tem "cotação" neste mercado;
b)
o princípio de soberania do consumidor é um dos conceitos básicos da
construção do sistema neoclássico, mas a demanda de meio ambiente não é
levada em consideração;
c)
o patrimônio natural não é também levado em consideração, uma vez que a
análise destaca preponderantemente os fluxos. Isto significa que a matéria-prima
é retirada sem considerar a permanência e renovação da base do recurso.
Deste modo, do ponto de vista econômico, conforme J.A. de Castro
(1994), os agentes podem tratar as externalidades ambientais de 3 formas:
podem induzir uma falha de mercado ao não internalizar os custos ambientais
e/ou não proporcionar compensações; podem também efetivar internalização
com alocação ineficiente de recursos e, finalmente, proceder a uma
internalização satisfatória e eficiente com relação aos recursos
ambientais.
Por outro lado, sob a ótica
das políticas públicas, o tratamento das externalidades também pode ocorrer
de 3 formas: pode ocorrer omissão ao não intervir em mercado com internalização
ausente ou incompleta de custos ambientais; pode ocorrer também intervenção
que aprofunda a ineficiência de alocação e, a intervenção politicamente
correta que induz e sanciona um equilíbrio e bem estar quanto ao uso dos
recursos naturais.
Colocado nestes termos, pode-se inferir que uma análise social de
custo-benefício, com uma correspondente valoração econômica das variáveis
ambientais envolvidas, pode contribuir para determinar os agentes afetados e
beneficiários do uso, da apropriação e do consumo ótimos de bens
ambientais, bem como avaliar a eficácia das políticas públicas ou a sua ausência.
1.4.1.Tipologia das Análises Custo-Benefício
Conforme Seroa (1998), a análise custo-benefício (ACB) pode assumir
as seguintes gradações de acordo com as correspondentes perspectivas:
I
- Análise privada (Perspectiva do usuário):
Maximiza
receita, minimiza custos - ACB utilizando preços de mercado sem considerar
externalidades.
II
- Análise fiscal (Perspectiva do Tesouro):
Maximiza
receita fiscal, minimiza custos de administração - ACB mensurando apenas os
ganhos e perdas de receita fiscal e seus respectivos custos de administração.
III
- Análise econômica (Perspectiva da eficiência):
Maximiza
o bem estar total, minimiza os custos de oportunidade - ACB utilizando preços
de mercado sem subsídios e outras distorções de mercado.
IV
- Análise social (Perspectiva distributiva):
Maximiza
o bem estar total, minimiza os custos de oportunidade e distributivos - ACB
utilizando preços de mercado sem subsídios e outras distorções de mercado,
ajustando estes com pesos distributivos para incorporar questões de eqüidade
(Excluindo a valoração monetária de externalidades ambientais).
V
- Análise de sustentabilidade (Perspectiva
ecológica):
Maximiza
o bem estar total, minimiza os custos de oportunidade e distributivos - ACB
utilizando preços de mercado sem subsídios e outras distorções de mercado,
ajustando estes com pesos distributivos para incorporar questões de eqüidade
e incluindo a valoração monetária de externalidades ambientais.
Para o objeto de estudo em tela, o qual diz respeito a um Parque
Nacional, a análise que considera-se adequada, corresponde à gradação
obtida a partir de uma perspectiva ecológica, constituindo-se assim em uma análise não
trivial, uma vez que se trata de variáveis e características derivadas de um
recurso ambiental singular.
Os recursos ambientais que constituem o Parque Nacional do superagüi,
perfazem um conjunto de características diversas e heterogêneas, preservando
in situ amostras ecossistêmicas, genéticas, faunísticas e florísticas do
bioma Mata Atlântica. Desta forma, a sua valoração não é captada
diretamente através dos mecanismos tradicionais de mercado, visto que a
apropriação destes recursos ali
contidos pode
ocorrer, por
hipótese, através
de uso
ou não-uso
pela sociedade, ou mesmo
como valor de utilização futura (opção).
Supondo a ocorrência de todas as tipologias de valor econômico para
este recurso, tem-se o Valor Econômico do Recurso Ambiental (VERA), como:
VERA
= Vud
+ Vui +
Vo + Ve, onde:
Vud:
Valor de uso direto referente a bens e serviços ambientais apropriados
diretamente da exploração do recurso e, consumido no presente.
Vui:
Valor de uso indireto referente a bens e serviços ambientais que são gerados
através de funções ecossistêmicas, apropriados e consumidos no presente.
Vo:
Valor de opção que refere-se a bens e serviços ambientais de usos diretos e
indiretos (Vud e Vui), a serem apropriados e consumidos no futuro.
Ve:
Valor de existência ou não-uso presente ou futuro, relacionado a questões
morais, culturais, éticas ou altruísticas.
1.4.2.Os métodos de valoração econômica de recursos
ambientais
Os métodos de valoração até o presente idealizados, buscam suprir a
inexistência de mercados e preços para estas externalidades derivadas de
bens públicos constituídos por recursos naturais. Pelo lado da oferta estão
os métodos de função da produção, que compreendem o método da
produtividade marginal e o método de mercado de bens substitutos. Pelo lado
demanda, por sua vez, estão os métodos da função de demanda abrangendo o método
de mercado de bens complementares e o método da valoração contingente.
Limitações
do referencial teórico para os métodos de função de produção: Os métodos
de função de produção dependem de dados obtidos a partir de mercados
estabelecidos, os quais nem sempre correspondem a uma alocação eficiente de
recursos e podem assim resultar em imprecisões na avaliação. Mesmo a simulação
de substitutos para os bens ambientais, não permitem uma precisão e
restringem a aplicação para captar valores de uso direto e indireto. De
outra forma, a alteração nos preços devido a variações no uso de insumos
ambientais, correlaciona-se com variações no excedente do consumidor, as
quais determinam uma maior complexidade para captar os níveis de bem estar
para os extratos sociais afetados.
Limitações
do referencial teórico para os métodos de função de demanda: As limitações
dos métodos de função de demanda também se relacionam à dificuldade em
captar preços de mercado eficientes para os bens complementares e para o Método
do Custo de Viagem em particular, a valoração do tempo, uma variável que
apresenta complexidade e que restringe a aplicação do método apenas para os
valores de uso direto e indireto.
Limitações
do referencial teórico o Método do Valor Contingente: Para as estimativas
utilizando o Método do Valor Contingente, abre-se um leque de possibilidades
de ocorrência de vieses relacionados à estratégia, hipótese, problema da
parte-todo, da informação, do entrevistador e entrevistado, do instrumento
de pagamento, do ponto inicial, da obediência, da subaditividade e de seqüência
de agregação. Desta forma o questionamento, a pesquisa e o desenho da
amostra devem buscar a superação destes vieses.
PARTE II -Um
estudo de caso - O Parque Nacional do Superagüi
- Hipóteses
A elaboração de uma análise social de custo-benefício, sob uma
perspectiva ecológica, para o Parque Nacional do superagüi, envolve uma análise
prospectiva sobre os grupos sociais beneficiários, as políticas públicas
que dão o suporte técnico-administrativo para a unidade, bem como a
identificação das instituições que cooperam com recursos humanos e
materiais para a sua gestão ambiental. Em
termos gerais, o benefício da conservação pode ser colocado
como:
BLCONS = BLUD +
BLUID +
BLEXIST - CPPUB
onde:
BLCONS
: Benefício líquido
da conservação da área protegida
BLUD : Benefício
líquido do uso direto da área protegida
BLUID : Benefício
líquido do uso indireto da área protegida
BLEXIST : Benefício
líquido do não uso (valor de existência) da área protegida
CPPUB : Custo
das políticas públicas para manter a área protegida
Beneficiários
do uso direto: Como beneficiários diretos podem-se citar os agentes locais
que desenvolvem a atividade de transporte e hospedagem de turistas, que se
deslocam para o parque, e lá permanecem por alguns dias. Neste mesmo extrato
situam-se os guias residentes nas vilas do entorno, os quais conduzem os
grupos turísticos através de trilhas, proporcionando recreação aos mesmos.
Beneficiários
do uso indireto: Em relação aos beneficiários indiretos, tem-se as instituições
de pesquisa, as quais tem a oportunidade de desenvolverem estudos e pesquisas
focalizadas nos atributos ambientais preservados na unidade, e assim,
ampliarem o seu acervo técnico. Nesta categoria de valor inclui-se também a
manutenção de um Banco genético in situ.
Um outro grupo de beneficiários corresponde às comunidades
pesqueiras, cuja produção gera renda para a manutenção de famílias
moradoras no entorno do parque. Para estas mesmas comunidades os canais
internos e adjacentes a esta área protegida, possibilita a navegação e o
transporte de pessoas e produtos.
Beneficiários
da existência: Finalmente, tem-se no valor de existência, a cooperação de
extratos sociais situados em outros países, os quais percebem a manutenção
desta unidade como um benefício para a humanidade. A este segmento unem-se os
esforços de outros residentes no país com esta mesma percepção. Para esta
análise não será considerada a categoria valor de opção, isto é, aquela
valoração referente a bens e serviços ambientais, de usos diretos e
indiretos ainda desconhecidos e a serem apropriados e consumidos no futuro.
Políticas
Públicas: A contrapartida para estes benefícios, isto é, pelo lado custo,
estão as políticas públicas que dão o respectivo suporte técnico-administrativo
para o objetivo de manutenção desta área protegida. Assim, tem-se 4
principais grupos de ações políticas, os quais perfazem um documento
denominado Plano de Manejo, conforme descrito a seguir:
a)
Administração: Refere-se aos custos correntes e de capital, relativos a
pessoal, veículos, equipamentos, material de consumo, encargos diversos e
manutenção predial. A este centro de custo somam-se os gastos da atividade
de fiscalização, não só aqueles realizados pelo IBAMA, como também as
despesas dos órgãos participantes como a Polícia Florestal.
b)
Manejo do Meio Ambiente: Aqui são lançados os custos e despesas com o apoio
a pesquisas e aplicação de metodologias em prol da manutenção do Banco genético
in situ e a geração de conhecimento científico.
c)
Uso público: Estes custos se referem a atividades de apoio à recepção,
orientação e recreação de visitantes, de forma compatível com o patrimônio
natural. Neste centro de custo situam-se também as despesas relativas à
preparação de material de divulgação e educação ambiental.
d)
Integração do entorno: Este bloco de ações visa proporcionar a manutenção
do modo de vida harmônico das populações tradicionais que habitam o
entorno. São portanto ações relativas ao dimensionamento de alternativas de
geração de renda em compatibilidade com o patrimônio natural protegido.
Cabe salientar que este bloco de ações segue um modelo fundamentado
na observação do modo de vida destas populações tradicionais, com o aporte
da ciência sociológica norteando as demais ações de políticas. Em termos
econômicos, a racionalidade consiste em apoiar a estrutura predominantemente
informal existente, visando mais a organização produtiva nas formas mais
simples existentes do que a modernização, conforme prescrevem os estudos
sociológicos. O quadro a seguir, apresenta os resultados obtidos na análise
social de custo benefício, sob uma perspectiva ecológica, para o Parque
Nacional do superagüi:
QUADRO:
BENEFICIÁRIOS E BENEFÍCIOS E CUSTOS DE POLÍTICAS PÚBLICAS
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Beneficiários
forma do benefício
Valor em R$
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
1520
turistas
uso direto
77.840,00
valor recreativo
Proprietários
uso direto
46.704,00
de
6 pousadas bens
e serviços complementares
5
Instituições de pesquisa
uso indireto
indeterminado
apropriação
de conhecimento
banco genético in situ
Comunidades
do
uso indireto
81.807,00
entorno
300 famíliasc
potencial pesqueiro
Comunidades
do
uso indireto
66.600,00
entorno
300 famíliasc
vias navegáveis
Região
Metropolitana
valor de existênciaª
2.832.042,00
de
Curitiba
critérios subjetivos
1.055
mil pessoas
TOTAL ANUAL:
3.104.993,00
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Políticas
públicas componente
Valor em R$
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Administração
1.Bens
de capitalb
Prédio
4.800,00
Equipamentos
2.540,00
2.Despesas
correntes: Pessoal, material de consumo, serviços de terceiros
80.000,00
Manejo
do meio ambiente
Apoio às pesquisas
10.950,00
Integração
do entorno
Projetos comunitários
36.000,00
TOTAL ANUAL:
134.290,00
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Relação
benefício/custo anual: 23,12
(a)
Valor anual a uma taxa de desconto de 12% ao ano.
(b)
Valor de aquisição convertido em custo de oportunidade a uma taxa de 12% ao
ano.
(c)
Pop. estimada com base em SPVS (1992), Karam, K.F. (1996) e Corrêa, M.F.M
(1998)
Fonte:
Elaborado pelo autor.
CONCLUSÃO
A principal conclusão é que os benefícios crescem do âmbito local
para o regional e, deste para o global, ao passo que os custos seguem uma tendência
inversa, isto é, são maiores em nível local e diminuem regional e
globalmente.
Configura-se pois uma distorção no aspecto distributivo, a qual deve
ser resolvida em termos de um mercado global e posteriormente nos níveis
regional e local. Entretanto, é razoável buscar novas alternativas de
potencializar os benefícios locais, o que é coerente com esta racionalidade,
quanto aos benefícios do ecoturismo e da pesca, bem como no item banco genético
in situ. Desta forma um direcionamento futuro para pesquisas é situar
alternativas viáveis de potencializar os benefícios locais, com vistas à
obtenção de equidade na distribuição do total de benefícios gerados a
partir de áreas protegidas, e assim obter a legitimação social deste tipo
de política pública.
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